#Gay #Teen

Entre Muros e Segredos cap 25

2.2k palavras | 1 | 0.00 | 👁️
Timberlake

Novo dilema, onde uma vida gera perigo para outra.

Entre Muros e Segredos Cap 25
Após todo o ocorrido, eles estavam de volta ao casarão. Era segunda-feira, e naquele dia nenhum dos dois iria à faculdade. Silveira chegou e reuniu os pedreiros, explicando que dois estavam envolvidos nos roubos das peças e materiais da reforma do casarão. Muitos ficaram muito tristes, pois, na sua maioria, eram trabalhadores que se esforçavam para sustentar suas famílias, e era triste ser alvo de desconfiança.
Dentro de seus quartos, Pedro e Igor se olhavam. Em meio ao silêncio, seus olhares diziam muitas coisas. Esse momento, no entanto, foi interrompido por uma batida na porta.
— Mãe?
— Igor, meu filho, soube o que aconteceu e só queria ver se você está bem.
— Tô, mãe, foi só o susto.
— E você, Pedro, obrigada por defender meu filho.
— De nada.
— Pedro, você me deixa conversar com meu filho um pouco?
— Tá bom, Igor, qualquer coisa estou lá embaixo na obra com meu pai.
— Só me faz um favor, vai na farmácia e compra meus remédios que acabaram. Pega a receita e meu cartão.
— Tá bom, vou te mandar a senha no celular.
Pedro sai e encontra seu pai mais abaixo. Ele pergunta:
— Cadê o "grande", Pedro?
— Ficou conversando com a mãe dele.
— Pai, e agora? O Breno vai sair do negócio?
— Sim, filho.
— E como a gente vai fazer para continuar tocando a reforma do casarão?
— A mãe do Igor disse que vai continuar investindo, porque o negócio será do Igor.
— Que bom, assim nada vai parar.
No quarto dos rapazes, mãe e filho conversavam sobre o ocorrido na noite anterior. Logo, sua mãe lhe deu duas notícias:
— Filho, eu vou pegar parte do dinheiro que seu falecido avô deixou de herança para mim e vou investir aqui. Depois de tudo, seu pai vai desistir do negócio.
— É, mãe, meu pai me odeia.
— Seu pai é do jeito que é, e creio que nada vai mudar ele.
— Apesar de tudo, eu não consigo odiar ele, mãe.
— E nem deveria, e sei que ele te deu motivos.
— Mas o que a senhora veio me contar?
— Bem, entrei na justiça contra seu pai. Afinal, aquela casa e aquela pousada também me pertencem.
— É, mãe, porém ele vai alegar que só ele trabalhou.
— Eu também trabalhei, meu filho. Enquanto ele ia trabalhar, eu ficava cuidando da casa e, depois, de você. Não tive a possibilidade de continuar estudando e arrumar um bom emprego porque tive que cuidar da família.
— Puxa, mãe, eu atrapalhei a senhora — disse Igor com um olhar de tristeza.
— Sim, filho, atrapalhou, mas se eu voltasse no tempo mil vezes, essas mil vezes eu continuaria a tomar a mesma decisão, porque desse casamento você é a melhor parte.
Igor estava emocionalmente instável, e ali, junto de sua mãe, ele chorou por vários motivos, mas principalmente de alegria por ver que sua mãe o amava muito, o perfeito oposto de seu pai, que agora, mais que nunca, o rejeitava acima de tudo.
— Então, filho, a outra notícia é que estou grávida.
— Como assim, mãe?
— Estou esperando um filho de seu pai.
— Mas mãe, e seu tratamento contra o câncer? E meu pai já sabe disso?
— Vai saber hoje. E o tratamento, eu vou ver com o médico como fica, porém não vou tirar seu irmão.
Igor ficou assustado, pois sabia que o tratamento com quimioterapia é agressivo e pode, sem dúvidas, provocar um aborto espontâneo. Mas, por outro lado, deixar de fazer o tratamento pode acelerar o avanço do câncer. Era uma decisão muito difícil, mas não cabia a ele decidir sobre essa questão. Ele temia pela vida de sua mãe, e agora, mais do que nunca, teria que permanecer firme e apoiar sua mãe, seja qual fosse a decisão.
Na faculdade, Igor reencontrou seus amigos, que estavam muito preocupados com ele. Porém, o ex-garoto estava cheio de dilemas na cabeça: o assalto, a rejeição de seu pai, a doença e a gravidez de sua mãe. Tudo isso junto e ao mesmo tempo. Mas ele pôde encontrar apoio no seu amigo Rafael, que estava ali para ele. Já perto do horário de ir embora, ele estava sentado em um banco próximo ao bloco de Pedro, aguardando sua carona, quando seu pai chegou.
— Igor.
— Pai.
— Preciso conversar com você.
— Pensei que o senhor tinha dito que não tinha mais filho.
— É sobre isso que quero conversar com você.
— Certo, o senhor pode não ter mais filho, porém a gente vai sempre carregar o fardo de ter o sangue um do outro.
— Queria saber por que você ficou assim, respondão e sempre querendo me desafiar.
— E eu me pergunto, pai, por que Deus, em meio a 8 bilhões de pessoas, escolheu você para ser meu pai?
— E eu me pergunto onde errei na sua criação? Mas o assunto não é esse hoje. Ficou sabendo que sua mãe me colocou na justiça?
— Fiquei, ela mesma me contou.
— E você vai ficar do lado dela?
— Não, pai. Quem deve ficar do lado dela é a lei. Porém, acho justo a divisão do patrimônio.
Pai e filho conversaram ali na frente da faculdade. Tanto Igor quanto Breno eram frios em seus diálogos. Porém, Breno precisava medir as palavras, pois agora Igor era outra pessoa: mais seguro, forte e determinado. Igor fora, por muitos anos, coagido pelo pai a agir e falar de certa maneira, mas parecia que o ex-garoto se libertara disso. Agora, sua fala com o pai era firme e objetiva. Após isso, Pedro chegou, e os dois seguiram para o casarão. Igor estava muito calado, e Pedro respeitou seu momento, sem fazer perguntas, sem comentar, apenas deixando seu agora namorado em paz para se abrir, caso fosse necessário. Ao chegar, viram o carro de Silveira, que ainda estava por lá, em meio à obra, organizando seu estoque de pisos de cerâmica.
— Oi, filho. Oi, grande.
— O que você está fazendo, tio?
— Estou organizando os pisos, para ver o que tem para poder oferecer e vender logo.
— O senhor tem algum comprador em mente, pai?
— Pior que não. Porém, isso não pode ficar parado, ou alguém pode querer roubar novamente.
— Sabe, tio, em arquitetura, estou estudando arquitetura colonial, especialmente a presente em São Luís do Maranhão.
— Mas o que tem isso, grande?
— Bem, lá é conhecida como a capital dos azulejos, então seu piso teria muita saída por lá, porque ele é meio rústico e lembra muito os pisos e azulejos portugueses.
— É uma ótima ideia, grande. Sabe que isso não me passou pela cabeça. É uma ótima ideia.
— Tenho um tio que mora lá, irmão do meu pai. O senhor não quer que eu vá lá com Pedro e tente vender pro senhor?
— Você faria isso, grande?
— Claro.
— Pode deixar que eu vou te pagar uma comissão justa.
O dia seguinte amanheceu nublado. Igor acordou com o som do vento batendo nas folhas das árvores do casarão. Ele estava em seu quarto, deitado sobre a cama, ainda pensando em tudo o que havia acontecido nos últimos dias. A conversa com seu pai, Breno, ainda ecoava em sua mente, mas algo dentro dele havia mudado. Ele sentia que agora tinha o controle sobre sua vida, finalmente. Não era mais o garoto que se escondia atrás das palavras e ações do pai. A rejeição, que antes o dilacerava, agora parecia uma distância necessária para que ele pudesse crescer e entender seu lugar no mundo.
Pedro apareceu na porta, tocando levemente a moldura da entrada antes de entrar.
— Ei, você está bem? — perguntou Pedro, com uma expressão preocupada.
Igor levantou a cabeça e olhou para ele, ainda sentindo um vazio no peito, mas com uma determinação que não sabia de onde vinha.
— Acho que sim. Só pensando... em tudo — respondeu Igor, tentando disfarçar a tensão.
Pedro se aproximou e se sentou na beirada da cama, olhando para Igor com um olhar que refletia a preocupação, mas também uma calma que fazia Igor sentir que, mesmo em meio ao caos, ele podia confiar nele.
— Vai dar tudo certo, Igor. Você tem tudo para seguir em frente agora. Seja o que for que aconteça, você não está sozinho — disse Pedro com suavidade.
Igor suspirou e olhou para as mãos. Ele sabia que o apoio de Pedro era algo que poderia levá-lo longe, mas ainda sentia que o peso de sua família, o que seu pai representava para ele, não iria simplesmente desaparecer. E havia também a questão da mãe, a gravidez e o câncer, algo que pesava em seu coração como uma enorme responsabilidade.
— Não sei... às vezes parece que tudo está desmoronando e, de repente, surgem mais coisas para lidar — disse Igor, em tom baixo. — Agora isso com a mãe... o câncer, o bebê, a briga com o meu pai... Eu me sinto... sobrecarregado.
Pedro olhou para ele com ternura, tocando seu ombro com carinho.
— Você vai conseguir. Tudo isso vai te fortalecer, Igor. Eu sei que você tem mais força do que imagina. Não é fácil, mas você tem uma capacidade incrível de superar.
Igor sorriu levemente, sentindo-se reconfortado pelas palavras de Pedro, mas sua mente continuava a trabalhar, revivendo os últimos dias.
— Eu espero que você esteja certo — disse ele, finalmente se levantando da cama.
Pedro olhou para ele e, sem dizer mais nada, o acompanhou até a janela. Juntos, olharam para o casarão, que estava parcialmente em reforma. O cenário estava longe de ser o ideal, mas ainda havia algo ali que os mantinha esperançoso, como uma promessa de que, no fim, as coisas poderiam se encaixar.
Enquanto isso, lá embaixo, Silveira estava debruçado sobre uma pilha de papéis e documentos. Ele não parecia estar apenas organizando as finanças ou resolvendo a papelada da obra; havia algo mais em sua expressão, algo que Igor não conseguia decifrar.
Silveira olhou para a porta, como se soubesse que estava sendo observado, mas não virou o rosto. Ele ainda não estava pronto para conversar com Igor, mas sabia que mais cedo ou mais tarde teria que encarar a realidade de sua relação com o filho.
A campainha tocou e Pedro foi atender. Do outro lado da porta, um homem desconhecido com um terno escuro estava esperando.
— Bom dia, você é o Pedro? — o homem perguntou, com um olhar sério.
— Sou, sim. E você, quem é? — Pedro perguntou, desconfiado.
— Meu nome é Victor Lima, sou advogado da família Silveira. Preciso falar com você e com seu pai sobre alguns assuntos pendentes. Algo relacionado ao futuro do casarão e à herança da propriedade.
Pedro sentiu um frio na espinha. Ele sabia que questões legais estavam no horizonte, mas não imaginava que algo tão sério estivesse prestes a acontecer. Ele deu um rápido olhar para Igor, que agora estava de volta à porta, observando a cena com um semblante sério.
— O que está acontecendo, Pedro? — Igor perguntou.
— Não sei, mas acho que as coisas estão prestes a se complicar — respondeu Pedro, com um tom tenso.
Enquanto isso, no fundo do casarão, Silveira continuava seus preparativos para a venda dos pisos, mas algo em sua expressão indicava que ele sentia que não podia mais ignorar o que estava acontecendo. Ele não queria perder seu filho, mas sabia que havia chegado a hora de enfrentar as consequências de suas atitudes. Mesmo assim, a amargura e o orgulho o impediam de dar o primeiro passo em direção a solução.
A tensão no casarão aumentava à medida que novos desafios surgiam, sem que ninguém tivesse certeza do que aconteceria a seguir. Igor olhou para Pedro e, por um breve momento, sentiu que talvez houvesse uma saída para tudo aquilo, mesmo que o futuro ainda fosse uma grande incógnita.
Mas, naquele instante, não havia respostas. Apenas a esperança de que as decisões que tomariam, juntas ou separadas, os levariam a um lugar onde finalmente poderiam se sentir em paz.

Continua....

Próximo capítulo Domingo.....

❤️ Contos Eróticos Ilustrados e Coloridos ❤️
👉🏽 Quadrinhos Eroticos 👈🏽

Comentários (1)

Regras
- Talvez precise aguardar o comentário ser aprovado - Proibido numeros de celular, ofensas e textos repetitivos
  • João || 15 aninhos: Gostei do conto, quem quiser me chamar: +5562985850918

    Responder↴ • uid:bf9ln31k0k