Trinta anos de silêncio
O trote nas fraternidades americanas é brutal. Esqueça os vídeos de internet; esta é a minha história real e o peso do segredo que carrego há trinta anos.
Sou filho único e meu pai faleceu quando eu tinha dez anos. Morávamos em uma cidade pequena no interior do Brasil e fui criado pela minha mãe e pela minha avó. Financeiramente, nunca tivemos problemas; a família tinha posses, inclusive uma fazenda. Desde cedo aprendi inglês, já que meu pai era americano e exigia isso de mim.
O estudo sempre foi a prioridade absoluta na nossa casa. Nas férias, minha mãe trazia professores de grandes centros, principalmente na minha adolescência, para reforçar meu ensino. Eu era focado, dedicado e estava bem acima da média dos demais alunos. Mas essa dedicação cobrou seu preço na minha vida social. Namorar sempre foi complicado. Primeiro, porque eu não tinha tempo; segundo, porque minha mãe e minha avó não aprovavam, repetindo que eu teria muito tempo para isso no futuro. Eu conhecia o sexo apenas pela teoria, pela pornografia de revistas e alguns filmes.
Cheguei à idade adulta sendo aprovado em uma universidade americana para fazer Economia. Minha mãe me acompanhou na viagem, ficou cinco dias comigo e voltou para o Brasil. Era a minha primeira experiência real no mundo externo.
Decidi visitar uma fraternidade, que nada mais é do que uma grande organização de estudantes homens. No Brasil, seria o equivalente a uma república, mas lá elas funcionam em mansões imensas, onde os alunos dividem despesas, convivem e criam laços para a vida toda. Como eu vinha de fora, achei que seria a oportunidade perfeita para me enturmar. Fui aceito.
O que eu e minha mãe não sabíamos era o tipo de trote que nos aguardava. No Brasil, pensa-se em trote como raspar o cabelo ou pintar o corpo em uma única semana. Nos Estados Unidos, o hazing é um processo psicológico brutal que dura de acordo com cada Universidade. Hoje existem leis rígidas que proíbem parte dessas atividades, mas naquela época, no final dos anos 1990, a impunidade era a regra.
Eu era fã do Nirvana e do Kurt Cobain, e por isso mantinha os cabelos loiros e um pouco mais compridos que o dele. Sozinho na cidade, mudei-me para a mansão da fraternidade. Naquela primeira noite, todos nós, os calouros, fomos reunidos na sala principal. O silêncio do grupo foi quebrado pela voz de Kurt, o líder da casa. O físico dele era imponente, ocupando o centro do espaço. Com os braços cruzados, ele mediu cada um de nós com o olhar.
Gritando resumiu as regras que eram resumidamente o sigilo absoluto, pois o que acontece entre estas paredes morreria ali dentro. Outro ponto era a obediência cega aos veteranos e que deveria durar o semestre inteiro. Aqueles que aguentassem, seriam irmãos e assim teriam acesso as facilidades na vida profissional devido a contatos de outros irmãos que por ali passaram. Se falharem, não seríamos nada e seríamos expulsos.
Os primeiros dias foram de servidão pura. Eu, que só conhecia os livros, me vi de joelhos, varrendo o chão e limpando banheiros sob a fiscalização implacável e os xingamentos dos veteranos. Aquelas tarefas domésticas começaram a minar meu orgulho, mas eu ainda tentava me apegar a quem eu era.
No primeiro final de semana, o terror psicológico virou físico. Na festa da fraternidade, enfiaram álcool goela abaixo dos calouros. Sem qualquer hábito de beber, senti minha mente nublar rapidamente sob os gritos e a música barulhenta. Vestidos com roupas femininas, fomos ordenados a agir como mulheres e a sentar no colo dos veteranos. Kurt, com um sorriso de puro controle, fixou os olhos em mim e mandou que eu sentasse em seu colo. Minhas pernas tremeram pelo pavor de estar tão perto daquela presença física esmagadora.
O pior veio com o julgamento corporal. Fomos obrigados a tirar as roupas, ficando apenas de calcinha e sutiã na frente de todos. Foi nesse exato momento, enquanto eu tentava esconder o meu corpo naquelas peças femininas apertadas, que um dos veteranos, sabendo que eu era fã do Nirvana, reparou no meu cabelo loiro e comprido. Ele andou ao meu redor, me medindo de cima a baixo na frente dos outros, e soltou uma gargalhada:
- Olhem só, o calouro é fã do Kurt Cobain. Com essa carinha, esse cabelo e de calcinha... você daria uma bela mulher. A partir de hoje, você é a Courtney.
Para quem não sabe, Courtney Love era a esposa de Kurt Cobain. A sala inteira caiu na risada. O apelido pegou instantaneamente e fiquei envergonhado, pois para eles, agora, eu passava a ser a Courtney, sendo que o tormento estava apenas começando.
Em seguida, fomos ordenados a tirar o restante da roupa para o teste final da noite. Os veteranos nos forçaram a formar um círculo perfeito no centro da sala, totalmente nus. A regra era clara e cruel: cada calouro deveria segurar e masturbar o pau do colega ao lado. A brincadeira terminaria assim que o primeiro gozasse.
Fiquei em pânico. O calouro ao meu lado segurou meu pênis, mas o frio, o álcool e o constrangimento extremo fizeram com que ele se encolhesse quase por completo, incapaz de ter qualquer ereção. Por outro lado, o meu nervosismo me fez mover as mãos rápido demais no rapaz que estava do meu outro lado; ele não aguentou a pressão da minha mão e gozou rapidamente, sujando o chão da sala.
Como ele foi o primeiro a gozar, o jogo acabou ali. Vendo a cena, Kurt deu um passo à frente, apontou para mim diante de todos e gritou, fazendo graça:
- Olha aí! O cara gozou muito fácil. A Courtney tem mãos de fada! Quando ela pega, não tem jeito. Mas o brinquedinho dela ali não funciona.
Os veteranos explodiram em deboche. Recebemos permissão para se vestir, mas antes que eu pudesse pegar minhas roupas, fui obrigado a ficar de joelhos, ainda nu sob os olhares de todos, limpando com uma toalha o sêmen que o outro calouro havia deixado no chão.
Quando a festa finalmente terminou Kurt ainda me disse para pegar as minhas coisas, pois iria morar no quarto dele, já que seu parceiro havia terminado o curso e rindo acrescentou que eu era a Courtney então tinha que ficar com o Kurt. Eu não sabia se aquilo era bom ou ruim, pois tinha medo dele, mas eu estava decidido a sobreviver ali e enfrentar qualquer coisa.
No quarto, fiquei pensando que a minha primeira experiência sexual não foi como eu imaginava. Estava envergonhado de ter feito um homem gozar. Refleti um pouco e talvez o calouro tivesse facilidade para gozar e não fosse o ato da minha mão o manipular. Eu não queria ter “mãos de fada”.
No dia seguinte, comecei a conhecer um lado diferente do Kurt. Quando estávamos a sós no quarto, era brincalhão, não demonstrava aquela agressividade do trote. Descobri que ele estava no último ano de Farmácia. Aproveitando essa abertura, comentei que precisava de algumas vitaminas que meu médico havia receitado ainda no Brasil. Ele foi receptivo e disse que conseguiria tudo para mim no laboratório da faculdade.
Poucos dias depois, Kurt me entregou um frasco plástico, sem rótulo comercial, dizendo que havia manipulado um complexo de alta potência com as vitaminas que eu precisava. Confiando totalmente no conhecimento dele, passei a tomar uma cápsula todas as manhãs. Eu não tinha como saber o que realmente estava ingerindo; para mim, eram apenas suplementos e confiei nele.
Um mês se passou e uma nova festa fechada, só para homens, foi anunciada, desta vez para celebrar o nosso primeiro mês como calouros. Novamente, a ordem foi a mesma: tínhamos que nos vestir de mulher. O álcool corria solto pela mansão e eu era obrigado a beber copo atrás de copo, sentindo minha cabeça rodar.
Já tonto, acabei errando o caminho e entrei em uma sala anexa. O que vi ali me paralisou de terror: um veterano estava comendo a bunda de um dos calouros, enquanto os outros assistiam e riam da situação.
Antes que eu pudesse recuar e fechar a porta, um dos veteranos me viu. Ele caminhou rápido na minha direção, me segurou com força pelo braço e me arrastou para dentro da sala. Tomado pelo pânico e pelo efeito do álcool, mal consegui reagir quando outros rapazes bêbados também se aproximaram, me prensando e começando a tirar a roupa feminina que eu vestia, com a clara intenção de se aproveitarem de mim ali mesmo.
Eu já estava trêmulo e desarmado quando a porta se abriu de impacto. Era Kurt. Com sua voz imponente e uma autoridade que silenciou o quarto imediatamente, ele ordenou que me soltassem, avisando a todos que com a Courtney ninguém mexe. O alívio que senti ao ver os veteranos se afastarem foi imediato, mas o terror daquela quase agressão ficou marcado na minha mente.
Depois, já no quarto, fiquei deitado remoendo tudo o que tinha visto e sentido naquela noite. Eu mesmo já não me reconhecia; sentia meu corpo estranho. Quando os veteranos me puxaram pelo braço na sala anexa, notei que a minha pele estava incomumente macia ao toque, e minhas mamas pareciam pesadas, tomadas por um inchaço sensível que me incomodava a cada movimento.
Enquanto tateava aquelas mudanças, a imagem do calouro sendo penetrado não saía da minha cabeça. Eu me perguntava, horrorizado, como seria a vida dele dali para frente dentro daquela fraternidade, como ele conseguiria encarar aqueles rapazes sabendo o que haviam feito com ele.
Mas o que mais me impressionava era o respeito absoluto que Kurt impunha. Ele havia batido a porta e ditado as regras sem que ninguém ousasse dar uma única palavra de contestação. No meio daquele pânico, uma sensação perturbadora de agradecimento começou a se misturar ao meu medo: eu estava nas mãos do cara mais poderoso da casa, mas, ao mesmo tempo, ele era o único que podia me proteger da selvageria dos outros.
Aproveitando um momento a sós no quarto, decidi confessar a Kurt o que estava acontecendo. Expliquei que vinha sentindo dores nas mamas, que elas pareciam inchadas e que minha pele estava mudando. Perguntei, inocentemente, se aquilo não poderia ser um efeito colateral daquelas vitaminas.
Kurt me ouviu com uma expressão séria, examinou meus ombros e as minhas mamas com as mãos e balançou a cabeça. Ele disse que alguns organismos reagiam de forma sensível a certos componentes, mas que eu não deveria suspender o uso das cápsulas de jeito nenhum para não quebrar o tratamento.
No dia seguinte ele me entregou um pote, sem nenhuma etiqueta ou rótulo com uma substância branca. Explicou que era um gel de rápida absorção cutânea que ele havia preparado e que aquilo cortaria os efeitos colaterais indesejados. Ainda ressaltou que qualquer coisa que eu sentisse era só falar com ele.
Aliviado, passei a aplicar o gel diariamente nas mamas, nas coxas e nos quadris, exatamente como ele havia orientado. No entanto, o efeito foi o oposto do que eu esperava. Conforme as semanas passavam e eu tomava meus banhos diários, comecei a notar mudanças ao me ver em frente ao espelho.
O tempo passava, vinham festas, algumas com presenças femininas e eu não entendia o que estava acontecendo comigo. Eu não tinha vontade nem conseguia ter ereção e novamente falei com Kurt, e ele me disse que isso logo passaria e tinha que continuar com o tratamento.
Eu confiava nele e acreditava cegamente, mas com o passar do tempo comecei a desconfiar. Eu não queria confrontar o Kurt, afinal ele parecia estar realmente preocupado comigo, sempre me perguntando como eu estava indo. Por medo do confronto, passei a mentir dizendo que estava melhor e continuei seguindo o tratamento. Ele havia me dito que tudo terminaria em uns três ou quatro meses e que todos os sintomas eram normais, então me apeguei a essa promessa e continuei tomando as cápsulas e passando o gel.
Com o passar dos meses, notei que minha musculatura parecia estar perdendo a rigidez, tornando-se mais macia, e uma leve camada de gordura começava a se desenhar na região das minhas nádegas, dando ao meu corpo um contorno sutilmente mais arredondado.
Minhas ereções haviam sumido por completo. Uma sensação persistente de que algo muito errado estava acontecendo com o meu organismo começou a me assombrar, me deixando em um estado de ansiedade constante.
Foi exatamente nesse período de pura confusão mental que os veteranos anunciaram a próxima festa fechada da fraternidade, no final de semana. E, dessa vez, o alvo principal seria eu.
Chegou o sábado e no início da tarde Kurt entrou no quarto e ordenou que eu tomasse um banho e me depilasse. Argumentei que eu não tinha muitos pelos e perguntei o porquê daquilo. A resposta veio com uma rispidez agressiva que me assustou: "Porque eu estou mandando". Ele nunca tinha falado comigo daquela forma desde que mudei para o seu quarto, mas eu era um calouro e precisava me submeter. Apenas obedeci.
Ao sair do banho e voltar para o quarto, levei um susto. Havia duas garotas lá junto com Kurt. Ele explicou que eram suas amigas do curso de Farmácia. No mesmo instante, um frio correu pela minha espinha e pensei na minha total falta de ereção caso tentassem algo comigo.
Mas quando olhei para a cama, gelei por inteiro. Havia um par de sapatilhas do tipo que se usa em balé, um vestido curto, um sutiã, uma meia-calça que se prendia à calcinha, uma grinalda todos brancos e um pequeno buquê de flores na cor rosa. Era uma fantasia de noiva, bem erótica. Kurt me encarou com um sorriso cínico e disse que hoje eu seria a noiva dele, completando que queria me ver linda e que havia providenciado o sutiã justamente porque minhas mamas estavam sensíveis.
A vergonha tomou conta de mim. Antes que eu pudesse esboçar qualquer reação, ele saiu do quarto dizendo que o noivo não podia ver a noiva antes da hora. Foi então que entendi a função daquelas garotas: elas estavam ali para me arrumar. Vendo o meu desespero, elas tentaram me tranquilizar, dizendo que aquilo era normal na fraternidade e que se tratava apenas de uma brincadeira.
Assim que Kurt saiu, as duas garotas começaram a aplicar a maquiagem no meu rosto e a pintar minhas unhas. Quando terminaram de passar o batom, sugeriram que eu me trocasse. Ficar nu na frente delas foi humilhante; meu pênis estava totalmente encolhido, e elas riram enquanto eu tentava vestir a calcinha o mais rápido possível.
Elas fecharam o vestido curto, calçaram as sapatilhas de balé nos meus pés e me entregaram o buquê. Antes de saírem, ao verem o caimento elogiaram minhas coxas e uma delas deu um tapinha estalado na minha bunda e avisou que eu estava pronta.
Não sei precisar quanto tempo fiquei sozinho. Encarando meu reflexo de noiva no espelho, o pânico tomava conta. Kurt vinha sendo tão gentil e protetor que aquela rispidez súbita parecia um pesadelo. Eu não parava de pensar no que ele pretendia fazer comigo.
A porta finalmente se abriu e dois veteranos entraram para me buscar. Fui escoltado por eles até o salão principal, onde o som da música e os gritos ensurdecedores de "Courtney! Courtney!" explodiram assim que pisei no topo da escada. Olhando em volta, o pânico aumentou ao perceber que eu era a única vestida de mulher naquela noite. Kurt se aproximou com um sorriso orgulhoso, segurando meu braço como um noivo de verdade faria, e me conduziu até o centro da sala.
Ali, diante de todos os membros reunidos, um dos veteranos mais velhos assumiu o papel de juiz e realizou uma cerimônia de casamento satírica. Sob aplausos e piadas pesadas, Kurt se virou para mim e me deu um selinho. A vergonha ardeu no meu rosto maquiado e não havia para onde fugir. Logo em seguida, os gritos recomeçaram, a música foi aumentada no último volume e a bebida passou a correr solta pela mansão enquanto eu recebia os cumprimentos dos veteranos.
Quando a festa finalmente chegou ao fim, voltamos para o quarto. Como nada mais pesado havia acontecido no salão, comecei a me tranquilizar, tentando convencer a mim mesmo de que tudo não passara de uma brincadeira idiota de faculdade. Porém, assim que ficamos sozinhos e a porta se fechou, o clima mudou. Kurt me encarou com os olhos pesados e disse que queria a nossa lua de mel, avançando para cima de mim e tentando me beijar à força.
Consegui empurrá-lo e me livrar do abraço inicial, aproveitando que ele parecia meio bêbado. Mas Kurt insistiu, me agarrou por trás com violência e começou a puxar o vestido de noiva para tirar a minha roupa. Naquele instante, meu corpo simplesmente amoleceu.
Tentei empurrá-lo de novo, mas minhas pernas e braços não respondiam com a força necessária e não conseguia reagir. Lembrei que, durante a festa, fui obrigado a tomar uma taça de um drink que os veteranos haviam preparado especialmente para a "noiva". Com certeza não era só o efeito do álcool.
Enquanto eu lutava contra o meu próprio corpo, Kurt me prensou contra a cama e sussurrou no meu ouvido que, a partir de agora, dentro daquele quarto, eu era uma menina, a mulher dele, a Courtney.
Ignorando meus apelos e começou a beijar e morder levemente o meu pescoço. Eu estava imobilizado, sentindo o pau dele completamente rígido roçando contra a minha bunda através da calcinha. Pedi que ele parasse, mas Kurt, gritando, falou que era melhor eu ser uma menina boazinha, senão haveria consequências.
Ficamos assim um tempo com ele se roçando em mim até que saiu de cima abruptamente, me dando espaço para que eu me sentasse na cama, tonto e trêmulo. Antes que eu pudesse tentar me recompor, parou em pé na minha frente e, com um tom de voz frio e autoritário, ordenou que eu chupasse o pau dele.
Levei alguns segundos para digerir a ordem, paralisado pelo medo. Ele perdeu a paciência e segurou minha cabeça com força, puxando meu cabelo, passando a esfregar o pau contra o meu rosto maquiado, exigindo de forma agressiva que eu abrisse a boca.
Instintivamente abri a boca e ele a invadiu com força, me fazendo quase engasgar. Senti um sabor forte de urina misturado com algo salgado e com batom, mas, depois de alguns segundos, a própria saliva parecia amortecer o paladar e acabei me acostumando com o gosto.
Enquanto eu era forçado àquela situação, lembrei dos filmes de pornografia que já tinha visto, e uma centelha de dignidade brigava dentro de mim, gritando que aquilo estava errado, que eu era um homem e não uma mulher.
Kurt nem suspeitava do meu conflito interno. Continuava a dar ordens de forma agressiva, mandando que eu chupasse e beijasse a cabecinha, lambesse toda a extensão do seu membro duro. Pela primeira vez na vida, vi um pênis tão de perto. As veias saltadas, o cheiro forte, o sabor...
Não sei explicar, mas tudo aquilo estava mexendo profundamente com a minha cabeça. Foi ali, naquele instante de humilhação total, que comecei a perceber que não teria mais jeito e comecei a aceitar o que iria acontecer.
Até que ele pediu que eu levantasse. Kurt arrancou meu sutiã de uma vez e, ao ver minhas mamas, veio chupá-las com força. Elas estavam extremamente sensíveis e eu sentia um pouco de dor, misturada com uma sensação nova e estranha no fundo do meu corpo, que eu não sabia dizer se era pânico ou prazer.
Vendo que eu estava totalmente dominado, ele tirou a minha calcinha, dessa vez de uma forma não tão rude. Mandou que eu deitasse de bruços e abrisse as pernas. Quando olhei para trás, vi que ele estava colocando uma camisinha e passando um lubrificante. Eu sabia exatamente o que ia acontecer a partir dali, e uma confusão desesperadora me tomava por eu simplesmente não reagir e estar aceitando tudo aquilo.
Ao ver aquele homem grande, forte e musculoso com o pênis ereto vindo para cima de mim, não aguentei e fiz cara de choro. Ele percebeu e mudou o tom, dizendo:
- Não chora, meu amor, você vai gostar...
Então ele deitou-se sobre mim. Senti todo o seu peso esmagando o meu corpo e o seu pênis, melado de lubrificante, tocar na minha bunda.
- Agora vou te comer bem gostoso. - Disse no meu ouvido.
Senti aquilo sendo introduzido dentro de mim e meu corpo travou na hora. Kurt mudou o tom imediatamente, dizendo de forma agressiva:
- Deixa entrar que é melhor. Vou tirar a sua virgindade.
Eu ainda tentei relutar por alguns instantes enquanto ele forçava a penetração, até que dei um grito abafado e aquilo entrou de uma vez. Senti o sofrimento de ter a pele rasgada na entrada do ânus e, ao mesmo tempo, uma dor profunda lá dentro, como se um ferro quente estivesse sendo inserido. Doía demais, pedia desesperadamente para ele tirar, mas ele não se mexeu; apenas me prensou contra a cama com todo o seu peso, mandando eu ficar quieta que a dor já ia passar.
Aos poucos, fui me acostumando com aquela pressão absurda dentro de mim. Kurt começou a se mexer devagar, mas a cada movimento eu gemia de dor, o que fazia ele parar e voltar à posição original. Até que ele resolveu tirar tudo de uma vez, e senti um alívio imenso.
Em seguida, ouvi o barulho do frasco, ele passou mais lubrificante e foi enfiando novamente. Dessa vez, já deslizava mais suavemente; a musculatura havia cedido e já não havia tanta dor quanto antes.
Ele começou a fazer os movimentos de vaivém, ritmados e contínuos, e minha mente me levou de volta aos filmes pornográficos. Eu estava ali, exatamente no papel da mulher e, o pior de tudo, percebi que estava começando a sentir prazer naquilo, embora meu pau continuasse mole.
Lembro que era um desejo estranho, confuso, e aquilo, mais uma vez, destruiu a minha cabeça por dentro, me fazendo perguntar, em meio ao desespero, se eu realmente tinha um lado feminino enrustido.
Kurt quis trocar de posição. Ele me virou de frente para ele e colocou alguns travesseiros debaixo do meu quadril, elevando a minha pélvis para mudar o ângulo, me deixando exposto. É... aquela posição que a mulher abre as pernas e fica toda escancarada.
Lambuzando o pau com mais lubrificante, ele começou a brincar na minha entradinha da minha bunda, num jogo de tira e põe. Eu conseguia ver e sentir que apenas uma parte do pau dele me penetrava antes de ele retirar logo em seguida. Olhando para ele, percebi que eu estava completamente entregue àquela situação e, no fundo, que estava gostando daquela sensação.
De repente, ele passou a me comer com muito mais intensidade. Os movimentos rápidos me faziam gemer alto em uma mistura estranha, quase incompreensível, de dor e prazer. Por alguma razão profunda, meu corpo simplesmente relaxou por completo e algo inacreditável aconteceu: em determinado momento, senti uma onda avassaladora me dominar e percebi que iria gozar. Era uma sensação incrivelmente gostosa, embora meu pau continuasse completamente mole.
No instante em que Kurt me viu ejacular daquela forma, ele aumentou ainda mais o ritmo e a força das estocadas. Fui tomado por aquele transe até sentir o seu pau pulsar fortemente dentro de mim, no momento exato em que ele também gozou.
Passado o instante do gozo, Kurt mandou que eu vestisse a calcinha e deitasse ao seu lado. Naquela cama de solteiro estreita, ficamos deitados de conchinha e, exausto, acabei adormecendo. No dia seguinte, quando acordei, levei um susto imediato ao me ver apenas de calcinha, com ele pelado logo ao meu lado.
Em segundos, as memórias da noite anterior inundaram a minha mente; uma vergonha avassaladora me sufocou, principalmente quando lembrei do prazer e do que eu havia sentido naquele quarto.
Kurt acordou logo em seguida, me olhou e disse:
- Bom dia, minha princesa. Gostou da noite anterior?
Confesso que eu não sabia o que responder. Vendo o meu silêncio e a minha expressão confusa, ele me agarrou por trás e imediatamente senti seu pau ficando duro contra mim. Kurt foi puxando a minha calcinha para baixo até retirá-la por completo. Foi estranho, porque eu não pedi para ele parar; apenas olhei para o lado e disse para ele colocar a camisinha.
Na minha cabeça, naquele exato instante, o Wilson já não estava ali.... Eu era a Courtney. Sentia-me uma mulher desejada por um homem e o meu único papel era satisfazê-lo.
Ele chupou minhas pequenas mamas por alguns instantes. Não lembro se fui eu que fiquei de quatro por iniciativa própria ou se foi o Kurt que pediu. Apenas senti aquela coisa lubrificada entrando de uma vez dentro de mim. Agora, ele me comia feito um animal selvagem, mas eu sentia pouca dor; meu corpo já estava totalmente relaxado e cedendo àquela largura. Entrava tão fundo que eu podia sentir os pelos pubianos dele roçando na minha bunda.
Mais uma vez, foi estranho. Entrei em uma espécie de frenesi, como se estivesse anestesiado, e não dava a mínima para o que estava acontecendo. Finalmente, fui sentindo aquele pênis pulsar dentro de mim enquanto ele me puxava com muito vigor pela cintura. Kurt urrou de prazer ao gozar e eu, por alguma razão que me escapava, estava feliz.
Deitamos e coloquei a cabeça sobre o peito dele enquanto ele alisava as minhas coxas. Foi então que, com total naturalidade, ele me contou a verdade: na minha medicação diária haviam hormônios femininos e um inibidor de testosterona. Disse que eu já podia parar de tomar e que, em algum tempo, tudo voltaria ao normal. Segundo ele, o trote acabaria ali e, da parte dele, não haveria mais nada até o final do semestre.
Fiquei olhando para ele, completamente sem reação. Minha mente travou; eu não sabia se avançava nele para xingá-lo, ou se saía correndo daquele quarto para processá-lo por tudo o que havia me feito.
Decidi dar um tempo para pensar no que fazer. Levantei, tomei um banho para tirar os vestígios daquela noite, me vesti e fui dar um passeio no campus. Havia uma parte de mim que queria que ele assumisse a culpa e pagasse pelo que fez, mas, ao mesmo tempo, outra parte havia gostado de se sentir como Courtney. Era uma sensação perturbadora, como se eu já não conhecesse a mim mesmo.
Eu precisava tomar uma decisão. O meu lado masculino acabou falando mais alto e quis lutar para voltar a ser o Wilson, embora eu soubesse que, dentro daquela fraternidade, continuaria sendo chamado de Courtney. A minha grande dúvida era se deveria processá-lo ou não. Como eu não conhecia o funcionamento dos tribunais americanos e temia a exposição, acabei optando por seguir a regra cruel daquele lugar: o que acontece na fraternidade, morre ali dentro.
A partir dali, por mais estranho que parecesse, Kurt se tornou meu amigo com uma ligação que se mantém até os dias de hoje. No fundo, ainda sinto um carinho confuso por ele, que logo depois se formou e deixou a fraternidade. Eu, por outro lado, permaneci ali até completar o meu curso, carregando o nome de Courtney e tudo o que ele significava para os outros membros até o dia da minha formatura.
Hoje, quase trinta anos se passaram. Estou casado e tenho dois filhos, assim como Kurt, que teve três filhos e hoje está divorciado. Durante todos esses anos, frequentemente me perguntei o que levaria Kurt a ter uma atitude daquelas comigo. Hoje compreendo que muitos homens apreciam a dinâmica do poder, a necessidade de dominar e de afirmar a própria masculinidade através da subjugação do outro.
Nunca perguntei diretamente a ele por que me escolheu, mas presumo que tenha sido pela minha aparência na época; eu tinha um corpo e um rosto com traços mais delicados, que facilitavam aquela transformação.
Às vezes, no silêncio do meu dia a dia, olho para as calcinhas da minha esposa e sinto uma estranha saudade. Não é que eu queira ser mulher, longe disso, mas sinto falta da Courtney e, principalmente, de se sentir como ela. Foi uma experiência que me marcou profundamente e, embora essa nostalgia ainda ecoe como um segredo de uma vida inteira, sei que hoje eu não teria mais a coragem de passar por tudo aquilo de novo.
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